sábado, 12 de julho de 2008

INVERNO, AO ANOITECER


Anoitecer de inverno.

Enlaço os últimos raios de sol.

Percorrem as rosas, os pinheiros,

convertem-se em cajados

para o olhar.

Ao longe, um pássaro sobre o muro

fala-me de suas rochas de sonhos.

Onde as ondas não chegam,

onde pode ser mais íntimo do horizonte

e sentir-se vaso eterno na imensidão.

A casa me chama.

Consagrei-me ao dia

e agora anoitece.

É preciso dispersar os cereais

sobre a mesa

e transbordar as taças

com a água pura do coração.

Saudar o ocaso

como a Santa Ceia.

Quando o sol se despede

para renascer e iluminar

todos os frutos do pó da terra.




(Direitos autorais reservados)
Foto: Eduardo Bittencourt Pinto

3 comentários:

  1. O gostoso de ler vc, Lucia, é que a gente nunca sai ileso! Vou transbordando da poesia que aqui bebo, certa de que tudo tem seu tempo e seu lugar. A perfeição pode não ser sempre visível aos olhos.. mas canta com tanta beleza ao coração. E Deus é perfeição. Beijo imenso. Tenha um domingo de muita paz, amiga.

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  2. Lúcia,
    é muito bom ler teus versos novamente.
    Entrei em contato com você por este lindo espaço, pois lá no fórum, a maior parte dos membros não deixam seus e-mails.
    Quanto ao seu verdadeiro pedido, encaminharei ao editor.Concordo plenamente com sua opinião. Estou lutando por isso há tempos. Não desistirei.
    Adorei visitar teu espaço, talento é teu nome!
    beijos poéticos

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  3. Teu blog, amiga, está muito bonito, de bom gosto, PARABÉNS ! Beijos.

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